Alterações da função sexual – Capítulo V

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disfunção sexual feminina

O pavimento pélvico e a sua importância na saúde da mulher: Capítulo V – Alterações da função sexual

Estamos de volta com o tema pavimento pélvico e suas disfunções desta vez para vos falar das alterações ao nível da função sexual.
Recordando…
O que é o pavimento pélvico?
O pavimento pélvico ou períneo é um grupo de músculos que vai desde o púbis até ao cóccix formando o  “chão” do nosso tronco, daí o nome pavimento.
Estes músculos:
  • Envolvem a uretra (“pipi”), a vagina e o ânus e juntamente com os músculos do esfíncter mantêm o controlo destas aberturas impedindo a perda de urina ou fezes;
  • Suportam a uretra, a bexiga, o útero e o recto. É como se fosse o chão que segura todos os órgãos;
  • Controla todos os aumentos de pressão abdominal que ocorrem durante o esforço, seja este exercício físico, um espirro ou tosse, etc.

Períneo

Como saber se contrai efectivamente o pavimento pélvico?
Realize este teste APENAS UMA VEZ: Enquanto faz xixi tente parar o curso da urina apertando o ânus e o “pipi”, caso a urina pare de correr acabou de contrair eficazmente o seu períneo. Se a contracção for ineficaz não volte a tentar  e venha falar connosco pare que a possamos aconselhar!
As disfunções do pavimento pélvico podem levar a diversos problemas como:
  • Incontinência Urinária
  • Incontinência Anal/Fecal
  • Prolapso uro-genital (POP)
  • Alterações da função sexual
  • Dor Pélvica
Factores de Risco:
  • Inerente fraqueza do tecido conectivo
  • Gravidez
  • Parto vaginal (forceps, ventosa, episiotomia , idade materna avançada no 1º parto)
  • Paridade
  • Obesidade
  • Actividade física intensa
  • Alterações provocadas pela idade (menopausa)
Capitulo V – Alterações da função sexual
Este é um tema que sabemos ser tabu para algumas mulheres, mulheres que não sabem onde recorrer para pedir ajuda ou que não têm à vontade para o fazer. Por este facto, através deste artigo, procuramos desmistificar e falar abertamente de algumas questões com as quais se pode identificar de modo a poder agir e pedir ajuda!
Sabia que:
  • Comparada com o homem, em que a testosterona inicia a estimulação, na mulher existe pouca influência das hormonas para o início do estímulo sexual;
  • A motivação feminina decorre de “recompensas” ou “ganhos” que não são estritamente sexuais, como a proximidade emocional com o parceiro que activa o ciclo de resposta sexual seguinte;
  • A excitação sexual da mulher é mental e subjectiva, podendo ou não ser acompanhada por alterações de vasoconstrição dos genitais e outras manifestações físicas;
  • O orgasmo pode ou não ocorrer e quando acontece manifesta-se de formas diferentes, variando de mulher para mulher;
  • As dificuldades sexuais podem dever-se a falta de informação ou informação sexual incorrecta – aconselhamento sexual.
O ciclo sexual de resposta feminina explicado passo a passo:
1. Motivação/Desejo – consiste em fantasias e vontade de ter a actividade sexual.
  • O estímulo sexual é reconhecido pelas recompensas fornecidas ao nosso cérebro, por experiências emocionais “positivas” e “negativas”.
  • Uma vez experimentado o estímulo, a resposta acontece primeiro a nível inconsciente e de seguida de forma consciente.
  • Factores motivacionais, como a proximidade emocional, união e compromisso, expectativa e aumento do bem-estar do parceiro são componentes importantes que activam ciclo sexual.
  • Se na intimidade há a interacção entre o aspecto emocional e o bem-estar físico o ciclo de resposta sexual feminina é reforçado.
2. Excitação – Ocorre o sentimento de prazer sexual e alterações fisiológicas concomitantes.
  • Durante a fase de excitação sexual há um aumento do fluxo sanguíneo para os órgãos genitais resultando em vasocongestão, vasoconstrição, lubrificação, expansão vaginal, e aumento de volume dos vaginais externos.
  • A lubrificação vaginal ocorre como resultado de vários processos incluindo a passagem de líquido proveniente do plasma e secreções do útero pelo tecido vaginal. A vagina alonga-se e dilata.
3. Orgasmo – Ápice do prazer sexual com contracções do terço externo da vaginal e contracções rítmicas do esfíncter anal.
  • Ocorre um fluxo sanguíneo maior para o clitóris, protrusão da glande do clitóris, eversão e ingurgitamento dos pequenos lábios.
4. Resolução – Sensação de bem-estar geral e relaxamento muscular sendo que as mulheres são capazes de responder quase que imediatamente a uma estimulação adicional.
  • Depois das contracções do períneo há aumento da extensão da vasoconstrição causando um desaparecimento gradual das sensações.
O que pode ser considerado alteração da função sexual?
1. Perturbações do desejo:
  • Desejo sexual hipoactivo (diminuído) – diminuição ou ausência persistente/recorrente de fantasias ou desejo de ter atividade sexual.
  • Aversão sexual – aversão ou fuga do contacto sexual genital com um parceiro.
2. Perturbação do acto sexual: 
  • Perturbação da excitação sexual – Após haver desejo e desenrolar-se interação sexual poderá haver diminuição ou ausência dos “sintomas da excitação” (lubrificação, aumento do volume dos órgãos sexuais…)
  • Perturbação do orgasmo – atraso ou ausência persistente ou recorrente de orgasmo após uma fase normal de excitação sexual
  • Dispareunia – dor no acto sexual, antes ou após.
  • Vaginismo – forma persistente/recorrente da mulher em não permitir a penetração com o pénis, dedo ou algum objecto, independentemente do desejo de o fazer, contraindo involuntariamente os músculos do pavimento pélvico. Existe frequentemente uma fobia antecipada/medo ou experiência de dor.
Causas que levam à (dis)função sexual feminina:
  • Disfunção hormonal (menopausa);
  • Condições neurológicas (especialmente as relacionadas com dor);
  • Disfunções metabólicas;
  • Desordens afectivas/emocionais;
  • Eventos reprodutivos negativos:
    • Gravidez indesejada;
    • Parto traumático com lesão do Pavimento Pélvico
    • Infertilidade.Depressão pós-parto
  • Inexistência de tratamento ou tratamento inadequado para as patologias como:
    • Disfunção do Pavimento Pélvico;
    • Incontinência urinária;
    • Prolapso;
    • Obstipação;
    • Diabetes;
    • Depressão;
    • Ansiedade;
    • Fobias.
NOTA: Nesta lista constam alguns factores, sendo que poderão existir mais.
Disfunção do pavimento pélvico podem afectar o potencial para a satisfação física e emocional, por interferência com o desejo sexual e a predisposição mental, acabando por afectar toda a resposta sexual da mulher principalmente quando a DOR é um factor desencadeante.
Assim, a fisioterapia intervém ao nível da função sexual através da Reeducação do Pavimento Pélvico.
O pavimento pélvico é um “órgão” sexual com um papel activo no processo da relação sexual:
  • Os músculos do pavimento pélvico, em especial o elevador do ânus e a membrana perineal, participam da capacidade de resposta e função sexual feminina.
  • Contracções voluntárias do pavimento pélvico aumentam a vasocongestão e sensações físicas, nas fases iniciais da excitação.
  • A sensação física do orgasmo é induzida por uma série de contracções involuntárias do pavimento pélvico com um intervalo de 8ms.
  • Quando hipertónico (“muito tenso”), pode contribuir para o desenvolvimento de vaginismo, dispareunia e outras perturbações de dor sexual;
  • Quando hipotónico (“sem força”/”muito relaxado/laxo”), resulta em hipoestesia vaginal (falta de sensação), anorgasmia (ausência de orgasmo) e incontinência urinária durante a relação sexual;
Disfunção sexual
AVALIAÇÃO E TRATAMENTO:
MODELO PLISSIT:
  1. Permission: Abrir a porta à discussão permitindo que a mulher fale sobre a sua sexualidade, desmontar pensamentos e fantasias geradores de culpa, ansiedade e preocupação.
  2. Limited Information: Fornecer a quantidade de informação necessária para ajudar no melhor a sua função sexual, esclarecimento de dúvidas, mitos.
  3. Specific Suggestion: Fazer sugestões específicas no sentido de ajudar na resolução das queixas.
  4. Intensive Therapy: Terapia intensiva, referenciando a outros profissionais caso seja necessário.
O fisioterapeuta avalia os seguintes parâmetros:
  • Awareness: Consciência (nível de tensão) do pavimento pélvico;
  • Controle: capacidade de contrair e relaxar o pavimento pélvico;
  • Força: Qualidade e quantidade de contrações rápidas ou mantidas;
  • Tónus de repouso e relaxamento do pavimento pélvico;
  • Interacção entre estes parâmetros.
Reeducação do pavimento pélvico (tratamento da componente muscular tão influente no desejo e excitação sexual e no orgasmo):
  • Educação;
  • Relaxamento;
  • Fortalecimento;
  • Exercícios respiratórios;
  • Tratamento com técnicas de terapia manual.
Na maioria dos casos o tratamento envolve uma combinação de terapia física, cognitiva e comportamental.
Considerações:
O resultado depende muito da motivação da mulher e do seu parceiro, assim como da análise e do tratamento de uma possível recusa inconsciente por um terapeuta sexual ou psiquiatra.
Um fisioterapeuta especialista em pavimento pélvico deve trabalhar em conjunto com médico de família, ginecologista, urologista, urogineclogista, ou cirurgião colorectal. Em alterações sexuais é de extrema importância trabalhar com o terapeuta sexual, psicoterapeuta ou psiquiatra. A Fisioterapia Mães&Filhos apoia o trabalho em grupo e disponibiliza-se para entrar em contacto com o seu médico e estabelecer a ponte com o terapeuta sexual.

CONTE CONNOSCO PARA A SUA RECUPERAÇÃO!

Fisioterapia Mães&Filhos

Inês Cancela de Abreu

Fisioterapeuta

Saiba mais sobre a Pavimento Pélvico.

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