Factores de risco para a incontinência – Capítulo II

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O pavimento pélvico e a sua importância na saúde da mulher: Capítulo II – Factores de risco para a incontinência 

No seguimento do tema “O pavimento pélvico e a sua importância na saúde da mulher”, falamos neste artigo sobre os factores de risco associados à Incontinência Urinária e quais os públicos que poderão ser mais afectados.

Quem tem risco acrescido de sofrer de fraqueza do pavimento pélvico?

Incontinência Urinária
     1. Indivíduos com alterações do sistema nervoso central;
     
     2. Mulheres
Muito embora a incontinência urinária seja transversal a ambos os sexos e a todas as idades, o grupo de mulheres em fase activa – entre os 45 e os 65 anos – é aquele onde o problema assume um carácter mais marcante. Em termos comparativos, nestas faixas etárias, por cada três mulheres existe um homem afectado pela doença.
2.1 Grávidas ou mães recentes:
  • Cerca de 65% deste grupo têm queixas de perda de urina;
  • A causa da incontinência durante a gravidez é totalmente clara:
    • O efeito das hormonas no músculo liso (relaxina);
    • O peso do bebé alonga e força a musculatura.
  • Maior tendência para danificar ou comprimir o nervo pélvico;
  • O parto vaginal pode causar danos no períneo e nas estruturas de suporte (++ nos partos com fórceps/ventosas, em que são realizadas episiotomias e nascimento de bebés com peso superior a 4Kg).

Nota: Não é por estar grávida que é normal ter incontinência, no entanto, se há sinais ou sintomas adie a solução e  tome as devidas precauções e combata a incontinência urinária!

2.2 Mulheres na menopausa ou mulheres idosas, particularmente se sedentárias:

  • Muitas mulheres desconhecem os factores que enfraquecem o seu períneo até atingirem a menopausa, ou seja, é nesta altura em que os níveis de estrogenio baixam drasticamente e a ligeira fraqueza muscular que as acompanhou toda a vida aumenta na mesma proporção da diminuição do estrogenio. É nesta altura que se apercebem dos factores que levaram à situação: sedentarismo, negligência de pequenos sinais, profissões de risco acrescido (onde realizaram grandes esforços), entre outros.
  • Há medida que envelhecemos, os nossos músculos diminuem o seu tamanho e força. Isto pode resultar em fraqueza dos músculos do pavimento pélvico se estes forem ignorados.

Nota: O estrogénio contribui para um aumento do fluxo sanguíneo o qual melhora a contracção muscular promovendo a continência.

2.3 Mulheres jovens em fase activa de vida:

  • Estilos de vida que obrigam à realização de esforços físicos frequentes (por exemplo atletas);
  • Estilos de vida sedentários;
  • Mulheres que trabalham muito activamente.
2.4 Mulheres que foram submetidas a cirurgia ginecológica:
  • A remoção dos ovários resulta na redução da produção de estrogénio, resultando em sintomas semelhantes aos da menopausa;
  • Na ausência de tratamentos hormonais, a perda do controlo da bexiga instalar-se-á directamente após histerectomia ou ovariectomia;
  • Poderá eventualmente ter havido interacção com algum nervo.
2.5 Mulheres com excesso de peso:
  • Os casos de mulheres que perdem urina aumentam com o aumento do seu peso. Cada Kg a mais representa uma carga extra às estruturas do pavimento pélvico (músculos, tecidos, ligamentos..). Por vezes, uma ligeira perda de peso resulta numa menor perda de urina.
3. Indivíduos com tosse crónica ou estados febris, ou obstipação crónica:
  • Pressões exercidas permanentemente no pavimento pélvico como por exemplo, o tossir ou fazer força excessiva sempre que faz cocó, podem alongar e danificar os músculos.
4. Indivíduos com maus hábitos posturais:
  • Devido a alterações posturais mantidas por um longo período de tempo poderá surgir alongamento dos músculos do pavimento pélvico e estruturas envolventes, tais como o nervo pélvico.
Não é por estar inserido num destes grupos que vai sofrer “garantidamente” de fraqueza do períneo, mas se se identificar com alguma destas situações e não der atenção a esta estrutura  poderá ter maior tendência a desenvolver fraqueza destes músculos.
Caso não saiba onde fica o seu períneo, não tem a certeza se o consegue contrair ou se a sua contração tem força suficiente marque uma avaliação connosco. Quanto mais cedo começar a cuidar desta zona menos risco terá de desenvolver algum problema relacionado com incontinência ou disfunção sexual!
Esteja atenta aos próximos capítulos!

Na fisioterapia Mães&Filhos encontrará um acompanhamento personalizado que o/a ajudará, evitando que a patologia se instale.
Caso pretenda mais informações sobre este ou outro tema, contacte-nos.

Inês Cancela de Abreu

Fisioterapeuta

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Incontinência urinária