A incontinência urinária – Capítulo III

ARTIGOS MÃES&FILHOS

O pavimento pélvico e a sua importância na saúde da mulher: Capitulo III – A Incontinência Urinária
Voltamos a relembrar que…
Quando temos um pavimento pélvico alterado podemos desenvolver diversos problemas como:
  • Incontinência Urinária;
  • Incontinência Anal/Fecal;
  • Prolapso uro-genital (POP);
  • Alterações da função sexual;
  • Dor Pélvica;
Hoje vamos abordar o tema da incontinência urinária. O que é considerada incontinência urinária?
É uma perda involuntária de urina independentemente do seu volume ou causa. Perder pingas ou golfadas de urina não é “normal” seja em que situação for.
Curiosidades / Dados estatísticos:
  • A incontinência urinária afecta 200 milhões de pessoas no mundo. 75 a 80% destas pessoas afectadas são mulheres. (National Association For Continence, Charleston, South Carolina, USA. 2010)
  • Em Portugal existem mais de 650 mil pessoas com incontinência urinária das quais cerca de 80% são mulheres. Uma em cada cinco mulheres sofre de incontinência. (Paulo Dinis, 2008)
  • Os estudos revistos no 4th International Consultation on Continence (2009) revelam uma prevalência de 32% a 64% para todos os tipos de incontinência durante a gravidez.
As taxas de prevalência para o pós-parto variam entre 0,7% e 34%.
A prevalência da incontinência urinária de esforço no pós-parto aumenta de 7% aos 3 meses para 30% aos 5 anos e 42% aos 12 anos pós-parto. (Viktrup et al., 2006)
Porque é que a incontinência urinária é mais frequente nas mulheres?
  • Pelas diferenças na anatomia dos músculos do pavimento pélvico e ligamentos que suportam a bexiga e os esfíncteres;
  • Pelo efeito que a maternidade pode provocar nas estruturas pélvicas e esfíncteres caso não haja um acompanhamento na recuperação pós-parto;
  • Pelo efeito das hormonas ao nível dos receptores que existem na bexiga, esfíncteres e vagina.
Quais os tipos de Incontinência urinária que existem?
  • Incontinência urinária de esforço – Perda de urina quando realiza algum esforço físico.
    Sintomas: perde urina quando tosse, espirra, pega numa criança ao colo, carrega pesos, faz ginástica, corre por algum motivo, ri, faz as tarefas domésticas, quando se baixa para apanhar algo, etc.
Incontinência urinária de esforço
NOTA: Em determinadas alturas da vida, como no pós-parto ou na pós-menopausa, há tendência para dizer que perder umas pinguinhas de urina é “normal”. No entanto em nenhuma altura da vida, exceptuando quando somos crianças, será normal perder urina. Quando tal começar a acontecer será a altura ideal para procurar um profissional que a ensine ou relembre como contrair o períneo para que o fortaleça e as percas de urina parem.
  • Incontinência urinária de urgência – Perda de urina relacionada com desejo de urinar impossível de controlar.
    Sintomas: Normalmente esta situação dá-se logo que surge a “primeira vontade” de ir à casa de banho e partir desse momento já não consegue aguentar a urina. Por exemplo: está a guiar e o cérebro emite sinal de que tem de urinar, terá de parar o carro imediatamente para procurar uma WC pois sabe que não aguentará até chegar a casa. Está num espectáculo, numa aula, numa reunião e ao surgir vontade de ir à casa de banho sabe que terá de ir imediatamente ou caso contrário poderá perder algumas gotas de urina se não mesmo golfadas.
Incontinência urinária de urgência
NOTA: Poderá ter apenas desejo súbito e inadiável de urinar não acompanhado de perda (por exemplo quando coloca a chave na fechadura da porta tem muita vontade de ir à casa de banho mas consegue aguentar até ao momento de urinar).
  • Incontinência urinária mista – Perda de urina em situação de esforço e em situação de urgência em urinar.
    Sintomas: Poderão acontecer as duas situações a cima mencionadas.
A incontinência urinária pode ser de diferentes níveis mediante os sintomas que a mulher apresenta. É fundamental falar com o seu médico ginecologista/uro-ginecologista de modo a ser possível traçar um bom diagnóstico para poder adequar o melhor tratamento.
Não se deixe dominar pelos sintomas pois estes poderão levar a restrições na sua capacidade para se manter activa fisicamente limitando a sua vida social e familiar.
Na fisioterapia Mães&Filhos encontrará um acompanhamento personalizado que a ajudará a ultrapassar as suas limitações mas principalmente a poderá ajudar a preparar o seu corpo evitando que a patologia se instale:
  •  Qual o tratamento ideal para a incontinência urinária?
  • Cirurgia?
  • Medicação?
  • Alteração de hábitos?
  • Treino dos músculos do pavimento pélvico?
O tratamento para a incontinência urinária poderá ter diversas etapas de acordo com cada situação e o nível de evolução que a mulher apresentar.
  • Fisioterapia (alteração de hábitos e fortalecimento dos músculos do pavimento pélvico) – tratamento conservador;
  • Medicação – tratamento conservador;
  • Cirurgia.
Recorrer à fisioterapia como primeira abordagem poderá ser uma forma de evitar uma intervenção médica ou cirúrgica, e é aqui que a fisioterapia Mães&Filhos poderá ajudar.

A fisioterapia propõe recorrer a diferentes técnicas:
  • Conhecer os mecanismos individuais que desencadeiam as perdas;
  • Promover o fortalecimento e funcionalidade dos músculos do pavimento pélvico;
  • Contrações rápidas, lentas, mantidas e fortes.
  • Utilização de aparelhos de biofeedback e/ou electroestimulação na ausência de contração voluntária ou quando esta é fraca.
biofeedback 2
  • Ensinar estratégias para evitar a perda durante o esforço;
  • Promover junto da mulher a alteração/melhoria de hábitos de vida;
  • Integração em aulas de pilates clínico para manutenção das melhorias conseguidas.

Pilates class.

Existem momentos na vida de uma mulher que não devem ser ignorados e com isto queremos dizer que se a mulher estiver informada sobre algumas das etapas mais importantes na sua vida, como a Gravidez e a Menopausa e quais as alterações que delas podem ocorrer existem determinadas patologias que podem ser minimizadas ou mesmo evitadas.
Durante a gravidez a futura mãe mulher beneficiará de exercício físico especializado a fim de poder trabalhar este músculo tão importante que é o pavimento pélvico, e fortalece-lo para o momento do parto. Este acompanhamento deve ainda prolongar-se no pós-parto para garantir uma recuperação em pleno.
Já na menopausa a fisioterapia dar-lhe-á a possibilidade de ter uma actividade física controlada como forma de melhorar a função destes músculos, evitando o seu envelhecimento.

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Fisioterapia Mães&Filhos

Inês Cancela de Abreu

Fisioterapeuta

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Incontinência urinária