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PILATES CLÍNICO

Como funciona o pilates?

Visa a estabilidade lombar, o aumento do controlo muscular geral, o correcto funcionamento dos músculos do pavimento pélvico e controla a pressão no cilindro central.

O que é o cilindro central? Imaginemos o nosso tronco igual a um cilindro: (figura 1)

Cilindro central

Cilindro central no Pilates Clínico

Pilates Clínico

Pilates Clínico

A parede posterior/de trás será o músculo multifidus (entre as vértebras) que nos mantém direitos na posição de pé;
A parede anterior/da frente o músculo transverso do abdómen. O transverso está por trás do recto abdominal, vulgo abdominais.; (figura 2)
1. Recto abdominal
2. Oblíquos internos
3. Oblíquos externos
4. transverso do abdomen

– O Diafragma (por de baixo do toráx), será o tecto/face superior do nosso cilindro; (figura 3)
– E o Pavimento pélvico, o chão ou face inferior deste cilindro, que é constituído pelos músculos que vão da púbis até ao ânus.

Para que este cilindro proporcione à coluna estabilidade e protecção, é necessário que todas as paredes do cilindro estejam minimamente contraídas para manter uma pressão constante dentro do mesmo.

Isto explica a importância de exercitar estes músculos numa modalidade que ensine a manter uma postura correcta durante os exercícios para garantir que se está a trabalhar no sentido certo.

O pilates clínico é também uma ferramenta bastante útil nos problemas cervicais. Da mesma maneira que os músculos do cilindro central são trabalhados, os músculos que contribuem para a estabilidade cervical – grande dentado, flexores cervicais profundos, trapézio médio e inferior – são também abordados com exercícios específicos.

O A, B, C do pilates clínico:

O pilates baseia-se em 3 pontos-chave. Estas três acções têm a sua sequência e ordem propositadamente.

Cada aula de pilates inicia-se com o alinhamento da coluna, de forma a chegar à chamada postura neutra. De seguida é estimulada uma respiração “normal” e por fim a contracção do transverso do abdómen e pavimento pélvico (cilindro central) antes da execução de movimentos de modo a obter uma contracção de base.

Estes três pontos são pedidos e relembrados ao longo de cada aula e o objectivo final será mantê-los ao longo da maioria do tempo de aula.

(A) Alinhamento (alignment) – Tomar consciência da posição de todo o corpo e de possíveis compensações ou más posturas, encontrar a posição neutra. O alinhamento tenciona colocar todas as estruturas na melhor posição para potencializar a contracção da musculatura estabilizadora.

(B) Respiração (Breathing) – Acção do diafragma associada à contracção do transverso do abdómen. A respiração ajuda inconscientemente a contrair os músculos do cilindro central.

(C) “Centrar” (Contraction of the Center) – Activação da contracção inicial dos músculos para que estes já estejam activos antes do movimento.

Neste momento já estamos “centradas” e prontas para iniciar a aula!

Sequência do treino:

1º Avaliar a disfunção (consulta inicial de avaliação – individual)
2º Aprender (enquanto a fisioterapeuta facilita) a contrair simultaneamente os músculos que promovem a estabilidade do cilindro central e o alinhamento – posição neutra.
3º Depois de atingir o nível 2, conseguir controlar a posição neutra da coluna lombar, bacia e coluna cervical – Saber “centrar” (estar atento à qualidade e manutenção da contracção).
4º Aumentar o desafio pondo em prática o ABC em exercícios dinâmicos.
5º Incorporar os resultados nas actividades do dia-a-dia

Dados científicos que ssustentam a prática de pilates clínico:

– Treino específico (pilates) para o multifidus restaura o tamanho e simetria do músculo. O treino reduz então as percentagens de recidivas de dor lombar (Hides et al 2001):

Pilates Clínico

– Em 12 semanas de exercício terapêutico específico para o multifidus há efectivamente menor infiltração de gordura no músculo, maior activação, aumentando consequentemente a função antecipatória ao movimento e de estabilidade.

– Estudos revelaram que a elevação do pé do chão, sentado numa bola, produziu um aumento significativo na contracção do transverso do abdómen (e oblíquo interno) quando comparado com outras posturas de sentado. Observou-se ainda que ambos os músculos são mais solicitados no final da expiração (Ainscought-potts et al 2006).

– 80% da população ocidental apresenta um episódio de dor lombar ao longo da sua vida. A recidiva da dor lombar é de 80% (Hides et al 1994), e exercícios específicos de treino de estabilidade reduzem a recidiva em 35% (Hides et al 2001).

Estudos que mostram evidência positiva em frequentar aulas de pilates clínico:

– Melhoria significativa ao nível da incapacidade, nível de dor, satisfação do cliente e força muscular isométrica (sem movimento) (Chiu et al 2005).

– Diminuição de dor e níveis de incapacidade, num follow-up realizado um ano após a intervenção. (Ylinen et al 2003).

– Melhoria da noção de posição articular da coluna cervical. (Juli et al 2007)

– Efeitos positivos ao nível dos sintomas do cliente, estado de saúde geral e capacidade de trabalho. (Talmela et al 2003)